As 7 áreas que sustentam a longevidade de uma IES
- Bruno Barreto

- 14 de jan.
- 3 min de leitura
A governança educacional, quando bem entendida, não é um capítulo do organograma nem um documento para “cumprir tabela”. Governança é o que faz uma instituição decidir com rapidez, executar com consistência e manter a qualidade enquanto cresce. Em outras palavras: é o que sustenta performance institucional com longevidade.
Nas IES privadas, essa conversa costuma ficar ainda mais urgente quando a complexidade aumenta. A instituição amplia portfólio, abre novas modalidades, cria novas frentes comerciais, incorpora tecnologia, cresce em número de alunos… e o que antes era “gestão por proximidade” vira um sistema que exige método. Se esse método não aparece, surgem sintomas fáceis de reconhecer: decisões por sensação, áreas desalinhadas, metas que mudam com frequência, execução irregular e uma operação que parece trabalhar muito para avançar pouco.
O problema não é falta de esforço. O problema é falta de estrutura de decisão e de execução. E aqui entra uma ideia que eu considero central: resultado institucional é consequência de governança e execução nas áreas certas. Instituições tentam resolver performance com ações isoladas, quando o que falta é governança aplicada nas áreas que realmente sustentam o sistema institucional.
Foi por isso que organizamos nossa atuação em 7 eixos estratégicos. Esse “mapa” não é uma teoria abstrata. Ele é uma forma prática de dar previsibilidade à gestão e de evitar que a instituição funcione no improviso. Além disso, ele ajuda a liderança a responder duas perguntas que definem o rumo: o que priorizar e como acompanhar.
Os 7 eixos cobrem as áreas que, na prática, determinam se a IES cresce com saúde:
inteligência de mercado: a leitura de cenário e a governança de dados que dão direção;
finanças: previsibilidade e sustentabilidade como base de decisão;
marketing: marca, posicionamento e demanda com coerência institucional;
comercial: processo, rotina e gestão para converter com método, não por heroísmo;
ead: escala no digital preservando experiência, qualidade e operação;
retenção: permanência como projeto institucional, não como reação tardia;
acadêmico-pedagógico: consistência de entrega, coordenação e alinhamento com a promessa institucional.
Vale destacar um ponto: os eixos não competem — eles se integram. Uma IES pode ter marketing forte e acadêmico fragilizado; pode ter comercial ativo e finanças sem previsibilidade; pode crescer no ead e sofrer com experiência e permanência. O que resolve isso não é “fazer mais ações”. É criar governança para que a instituição funcione como um sistema: com prioridades claras, responsabilidades definidas e métricas que orientem a execução.
E aqui entra um cuidado importante de posicionamento: quando a discussão se resume a captação, a instituição reforça um rótulo limitado. Captação é relevante, mas ela é consequência de um conjunto maior — e, no longo prazo, é a governança do sistema que determina a consistência do resultado. O reposicionamento, portanto, precisa ser coerente: governança educacional aplicada, com método e cadência.
Para transformar os 7 eixos em agenda de execução (e também em biblioteca editorial consistente), cada eixo deve ser tratado com uma estrutura fixa:
o que é → por que importa → o que entregamos → como mede.
Esse formato evita duas armadilhas comuns. A primeira é falar em “conceitos” sem aterrissar em entregáveis. A segunda é falar em “ações” sem amarrar indicadores e cadência. Em governança, o que não se mede vira opinião; e o que não tem rito de acompanhamento vira promessa.
Na prática, uma metodologia enxuta e replicável organiza a jornada:
diagnóstico: leitura de cenário, maturidade, gargalos e riscos do sistema institucional;
priorização: matriz de prioridades (impacto × esforço) para escolher a sequência correta;
implantação: processos, ritos de gestão, papéis e padrões para dar forma à execução;
cadência e indicadores: governança de indicadores, revisão periódica e ritmo institucional.
O objetivo é simples: entregar para mantenedores e reitores/gestores executivos uma gestão que não dependa de “salvadores da pátria”, e sim de sistema, rotina e clareza.
Quando a IES passa a operar com esse mapa, algumas mudanças aparecem rápido: as decisões deixam de ser disputas entre áreas e viram escolhas orientadas por prioridade; a execução deixa de ser episódica e vira cadência; e os indicadores deixam de ser um “painel bonito” para se tornarem parte do rito de gestão.
No fim, governança não é o que a instituição declara. Governança é o que ela consegue sustentar: na decisão, na execução e na medida. E é por isso que eu acredito que os 7 eixos são um bom ponto de partida para quem quer crescer com longevidade no setor educacional.





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