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ENAMED 2025 e o recorte Comunitário/Confessional: qualidade consistente, baixo risco e estratégia

  • Foto do escritor: Bruno Barreto
    Bruno Barreto
  • 9 de fev.
  • 3 min de leitura

A Educação Médica brasileira vive, na última década, seu período de maior expansão. A abertura de cursos e a ampliação de vagas avançaram para além dos grandes centros, levando formação a regiões onde a presença de médicos é crítica. Esse movimento atende a uma demanda real, mas cobra do setor um preço: exige um sistema avaliativo à altura de um país plural e de escala continental.


O que o ENAMED mede — e o que ele não mede sozinho


Desde a divulgação do ENAMED 2025, há algumas semanas, o tema passou a dominar as conversas do setor, com repercussão na imprensa e nos fóruns educacionais. O debate é legítimo — e necessário. Mas ele precisa ser feito com rigor técnico. Avaliar formação médica envolve variáveis estruturais e de prática clínica que não cabem em um único indicador.


O ENAMED é um termômetro relevante de desempenho discente, mas ele não pode substituir, por si só, a lógica multidimensional do SINAES.


O recorte que se destaca: IES Comunitárias e Confessionais


Ao organizar o mapa por natureza institucional, um recorte se destaca por consistência: as IES Comunitárias e Confessionais.


Em um relatório do Instituto de Pesquisas do Grupo Crátilo, a amostra de 36 cursos comunitários/confessionais aponta um padrão robusto: predominância de conceitos satisfatórios (3–5), notas 1 e 2 residuais e risco regulatório baixo. Apenas dois cursos aparecem nas faixas associadas a medidas cautelares.


Por que a estrutura importa (e muito)


Em termos de organização acadêmica: 83,3% são Universidades, 13,8% Centros Universitários e 2,7% Faculdades.


Universidade aqui não é etiqueta. Em geral, significa maior densidade de corpo docente, governança acadêmica mais madura e, sobretudo, redes de prática mais estruturadas — com reflexo direto em internato, preceptoria e cultura avaliativa. O que não significa que outras categorias administrativas não possam demonstrar excelência, inclusive no próprio ENAMED vimos exemplos de faculdades com notas máximas.


O ponto central: Confessionais lideram entre as particulares


Dentro desse universo, há um dado que ajuda a orientar estratégia: o melhor desempenho discente entre as particulares está concentrado nas Confessionais. Esse achado reforça a tese de que consistência acadêmica é produto de sistema: gestão de currículo por competências, disciplina de acompanhamento, ritos de avaliação e integração ensino-serviço.


O debate regulatório: quando um sinal vira punição


Ao mesmo tempo, o ENAMED 2025 expôs uma tensão regulatória que precisa ser enfrentada com seriedade. O setor tem questionado o uso do exame como base direta para medidas cautelares. E a crítica não é “política”; é técnica.


Nos nossos estudos, identificamos um paradoxo: cursos com desempenho discente muito baixo no ENAMED coexistindo com Conceitos de Curso (CC) 4 ou 5 nas avaliações in loco do MEC. Isso aponta para uma dissonância entre um sinal pontual e a excelência estrutural aferida por especialistas, tensionando a hierarquia do SINAES e o princípio de proporcionalidade.


Somado a isso, o próprio INEP reconheceu inconsistências e abriu prazo para recursos, o que reforça a necessidade de clareza metodológica e previsibilidade antes de efeitos sancionatórios. Em um sistema anual e obrigatório, com impacto sobre colação e ENARE, a estabilidade de critérios deixa de ser detalhe e vira requisito.


Estratégia: transformar qualidade comprovada em mercado


Passado o debate regulatório, há uma implicação estratégica concreta: qualidade comprovada precisa virar vantagem competitiva. No pós-ENAMED, as Comunitárias e Confessionais têm um ativo raro: consistência com baixa exposição a risco.


O caminho é transformar evidência em narrativa e a narrativa em conversão:

  • para C4/C5: “qualidade comprovada + resultados superiores”, com prova social e indicadores verificáveis

  • para C3: segurança acadêmica, previsibilidade e suporte estudantil como diferenciais

  • em todos os casos: alinhamento acadêmico-comercial para reduzir CAC e sustentar defesa de preço


Conclusão: um benchmark dentro da rede privada


O ENAMED 2025 trouxe debates e ajustes, mas também revelou um benchmark dentro da rede privada. As IES Comunitárias e Confessionais — especialmente as Confessionais — aparecem como padrão consistente de desempenho discente.


A oportunidade agora é dupla: proteger a previsibilidade institucional com governança baseada em evidências e comunicar essa consistência como posicionamento competitivo.


Se você deseja estruturar um plano para converter seus indicadores acadêmicos em estratégia de crescimento e reputação, entre em contato comigo e conheça como o Grupo Crátilo pode ajudar a sua IES.




 
 
 

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