O EaD saiu do centro, e os grandes grupos fecharam 836 polos em doze meses
- Bruno Barreto

- há 1 dia
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Quatro das seis companhias de educação superior listadas na B3 operam hoje 836 polos a menos do que operavam doze meses atrás: Cruzeiro do Sul Educacional 267 a menos, Vitru Educação 247, YDUQS 240, Grupo Ser Educacional 82. Cogna Educação e Ânima Educação não publicam contagem comparável, então o número é piso, não total.
Sai nas próximas horas a 12ª edição do Tracking Educacional Crátilo, de agosto de 2026. Fomos pioneiros na análise dos grupos de educação superior de capital aberto no Brasil, e o relatório nasceu desse trabalho: a cada trimestre ele acompanha essas companhias e traduz o que elas fazem para quem dirige uma instituição que não está na bolsa, mas vive os mesmos ciclos. Doze edições depois, é um dos documentos mais baixados do nosso Instituto de Pesquisa.
A sétima companhia entrou justo quando o setor foi mexer nela
Esta edição passa a cobrir sete companhias. A Afya entra — a maior operação de medicina privada do país, com operação brasileira, sede em Nova Lima, mas holding constituída fora do Brasil e controle final do grupo Bertelsmann. Ela negocia na Nasdaq, e por isso publica sob régua própria em vários indicadores. A edição declara, página a página, onde ela entra na comparação e onde não entra.
Fechamos o relatório e a notícia veio. Em fato relevante de 24 de agosto, a Yduqs confirmou ao mercado tratativas preliminares com a Bertelsmann, controladora da Afya, para uma possível combinação de negócios — sem acordo vinculante e sem garantia de que avancem. Se sair, junta o que a EXAME Insight descreve como as duas maiores plataformas privadas de medicina do país.
E aqui está o que interessa a quem dirige instituição. Em levantamento do EXAME Insight, publicado em 26 de agosto, as duas juntas teriam 18,2% das vagas autorizadas de medicina no país, segundo relatório do BTG Pactual — que a publicação identifica como do mesmo grupo controlador dela. É concentração que já basta para uma análise longa: pela régua do Cade, operação nessa faixa exige exame minucioso. E o retrato fica mais duro quando o levantamento desce a lupa para as cidades: no Rio de Janeiro, as duas somariam cerca de 57% das vagas privadas identificadas — 38% se as públicas entrarem no mesmo mercado; em Teresina, 56%; em Ji-Paraná em Rondônia, as 106 vagas identificadas no município são todas delas, ou 76% se o recorte for regional. A própria Exame ressalva que a definição do mercado relevante cabe ao Cade durante a análise, e pode variar.
Em 2017 o Cade barrou a compra da Estácio pela Kroton por dois motivos: concentração nacional no ensino a distância, onde a Kroton iria de cerca de 37% para 46%, e problemas no presencial em mercados locais. É a segunda régua que volta à mesa agora — e ela é a régua com que o mantenedor regional sempre viveu, sem nunca ter visto o mercado inteiro discutir por ela. Para quem opera numa praça, o mercado que importa sempre foi a cidade, não o país. Quem opera medicina numa cidade onde as duas estão sabe exatamente o que isso significa.
O tamanho da vertical explica o resto. Em 30 de junho, a Afya operava 3.768 vagas de medicina; as três companhias da B3 que publicam o dado somavam 4.190 — uma companhia equivale a 90% das outras três juntas, lembrando que a Afya reporta vagas em operação e as brasileiras reportam autorizadas. Medicina é 85% da receita de graduação dela no semestre. Nas outras, é a vertical que sustenta o resto da operação.
O que mais está na edição
A receita subiu nas seis companhias e a base de alunos caiu em cinco. A conta fecha pelo ticket: menos gente pagando mais. A Vitru é a única que cresce dos dois lados. Os 836 polos fechados são a outra ponta dessa história, e a que chega mais perto de quem lê. Cada polo era um contrato com alguém da praça — muitas vezes uma instituição regional ou um empresário local. O que se desmonta ali não é ativo de balanço, é rede de parceria em centenas de municípios. O mesmo mantenedor pode ter perdido receita de parceiro e ganhado posição de proprietário na própria cidade, no mesmo movimento.
E a edição traz o posfácio de Marina Lima, diretora de novos negócios do isaac, sobre inadimplência que não começa no boleto vencido: duas instituições na mesma região e no mesmo trimestre podem fechar com 10% e 1%, e a diferença está em quem parou para entender quem estava matriculando.
Toda quinta-feira, a partir das próximas semanas
A confirmação das tratativas entre Yduqs e Afya veio depois do fechamento deste trimestre. Um relatório trimestral não acompanha isso rapidamente — e quem dirige instituição precisa acompanhar. Por isso passo a publicar aqui no LinkedIn, toda quinta-feira, uma leitura semanal dos grupos listados, com a mesma disciplina do Tracking: não é resumo de notícia. É o que o movimento dos grandes significa para a sua captação, o seu portfólio e a sua praça. O trimestral fecha o ciclo; o semanal cobre o caminho até ele.
Radar Educacional: a pesquisa sai primeiro lá
O Radar Educacional é o nosso grupo no WhatsApp, e existe para dar a quem dirige instituição o acesso à inteligência de mercado antes que ela circule. Todas as pesquisas do Instituto de Pesquisas do Grupo Crátilo saem lá primeiro — o Tracking, o Panorama da Captação, o Educação Superior Particular nas Regiões Brasileiras —, junto com análises setoriais, dados do Censo, mudanças regulatórias e movimentos de mercado.
É o maior grupo de alta gestão da educação superior privada do país, com mais de 400 membros. Grupo fechado, e a regra que o mantém útil é a que ele não abre: não entra publicidade, não entra conversa desnecessária. Entra pesquisa, e entra o que ajuda a decidir.
A 12ª edição sai nas próximas horas, primeiro lá. Quem quiser receber esta e as próximas:




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